Construindo Caminhos; Programando um Futuro

Olá, galerinha. Como vocês estão?

Sou a Letícia Desiderio, mulher preta, tenho 21 anos, moro em Duque de Caxias – RJ, trabalho como Desenvolvedora de Backend Jr na empresa BNP – Soluções em TI.

Gostaria de compartilhar com vocês um pouco da minha trajetória até o momento atual.

Lidando com meus obstáculos

Não tenham medo dos seus obstáculos, pois são eles que irão te moldar.

É sempre bom falar sobre nossas conquistas, podemos concordar que é ótimo poder comemorar e realizar um sonho, mas sempre ficamos acanhados sobre falar dos nossos obstáculos que são extremamente importantes para explicar como chegamos até o nosso momento atual.

Em 2019, quando entrei para o curso de Técnico de Informática, obtive meu primeiro contato com tecnologia, principalmente com esse mundo de desenvolvimento web e mobile, uma interação que me fez criar uma paixão pela área de desenvolvimento.

Neste curso, criei uma expectativa em ter uma conexão com todos os envolvidos, sejam homens ou mulheres, idealizei um grupo unido para debater ideias sobre as tecnologias, que compartilhassem informações, conhecimentos gerais e formassem um ambiente empático e agradável para todos. Infelizmente, não foi o que ocorreu, devido ao machismo e racismo, acabei me frustrando demais, sempre ouvia um desaforo e “piadas” de mau gosto. A área de tecnologia é extremamente predominada por homens, o que me gerou uma sensação de exclusão e insegurança.

Não tinha nem ideia de que estava fazendo história. Só estava cansada de me render.

Rosa Parks
Superando as frustrações e procurando um espaço seguro

Mesmo passando por este desafio, no ano de 2020, fui capaz de concluir o curso com êxito, persistindo, me empenhando em encontrar pessoas pelas quais pudessem me apoiar como um suporte de estudo, buscando amizades que fizessem me sentir mais confortável possível no meio a um cenário desagradável.

Com tudo, por ter sido o meu primeiro contato com o desenvolvimento, ainda não era o suficiente para conseguir um emprego como desenvolvedora, procurei pessoas que conseguissem indicar o que estudar e em quais lugares. Como resultado, encontrei à Debora Nis, Desenvolvedora de Front-end e Fotógrafa, através de uma publicação importantíssima dela sobre inclusão de mulheres cis e trans na área de desenvolvimento.

A partir disso iniciei uma nova jornada após à indicação da Debora Nis, fiz a inscrição no processo seletivo da Reprograma; que é uma iniciativa de impacto social que foca em ensinar programação para mulheres cis e trans que não têm recursos e/ou oportunidades para aprender a programar.

Em razão disto é ir à luta e garantir os nossos espaços que, evidentemente, nunca nos foram concedidos.

Djamila Ribeiro
Aprendendo com realidades distintas das nossas

Felizmente, consegui passar no processo seletivo. Na Reprograma, encontrei mulheres com histórias incríveis de superação e deparei com a realidade dura e absurda sobre as mulheres da nossa sociedade; Mães solteiras que se “dividiam” para arrumar um tempo para seus estudos e que se doavam para cuidar das suas filhas (os), fazendo quase tudo ao mesmo tempo, e principalmente, mães que não conseguiam se encaixar no mercado de trabalho por causa da maternidade, mulheres trans que enfrentavam uma sociedade preconceituosa e de certa forma impiedosa.

Essas Mulheres entendem sobre a dor da não-inclusão social, seja ela qual for. Foi somente com elas que aprendi muito mais sobre a empatia com próximo, união, respeito, zelo, compreensão, comprometimento e responsabilidade.

A empatia e o respeito ao próximo me ajudaram conquistar os meus objetivos

Não há limite para o que nós, como mulheres, podemos realizar.

Michelle Obama

Na Reprograma, utilizando a linguagem JavaScript, o interpretador v8 (NodeJs) e banco de dados (MongoDB), construí um projeto incrível com auxílio das professoras, à API Saudex, ela consiste em um sistema de cadastro de postos de saúdes e hospitais que podem ajudar pessoas diabéticas encontrarem e verificarem se seus insumos estão disponíveis.

Esse projeto foi escolhido em conjunto com outros projetos para ser apresentado no dia da minha formatura após três meses, me formando na Reprograma como Desenvolvedora Backend e finalmente encontrando tudo que procurei naquele início da jornada do curso técnico, um espaço seguro onde foi possível ser eu mesma e receber todo o suporte necessário para realizar uma transição de carreira.

Ressignificando minha dor devido a discriminação racial imposta em ambientes que não possuo controle

Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.

Djamila Ribeiro

Após toda essa jornada, surgiram as etapas de entrevistas, queria dizer para vocês que foi tranquila, mas não foi assim que aconteceu, a discriminação racial no Brasil é altíssima, nem sempre ela é disfarçada, pelo contrário, é extremamente escancarada. E como lidei com isso?

Não foi fácil, nem deveríamos estar lidando com isso, mas focar cada dia mais nos meus estudos em programação, criar metas e conversar com grupo de pessoas que também lidaram com o preconceito racial e passam por discriminação racial, foi um estímulo necessário e essencial para não me sentir sozinha e conseguir permanecer firme para chegar ao meu ponto de partida.

O passado é capaz interferir e controlar o meu futuro?

Ao invés de ficar olhando para o passado, eu me transporto para 20 anos afrente e tento ver o que eu preciso de fazer agora para que eu consiga chegar lá.

Você precisa de mentores, mas no final, você realmente só precisa acreditar em si mesmo.

No meio dessa jornada de entrevista, também ocorreram surpresas maravilhosas, ganhei um mentor, o Filipe Borges, que me auxiliou e me preparou para um ambiente profissional.

E por fim, o meu “SIM” chegou, trabalhando na BNP, tenho a oportunidade de trocar conhecimento, sou extremamente valorizada pelos meus companheiros e colegas de trabalho e me sinto grata por não ter desistido, por ter pessoas na minha vida pessoal e profissional me incentivando, orientando e apoiando meu trabalho.

Essa publicação é para todas as pessoas que foram meu suporte durante estes anos. Dito isto, espero que tenham gostado e até a próxima ❤

Sobre Letícia Desiderio 1 Artigo
Sempre em busca das melhores oportunidades de aprendizado. Backend Developer na BNP Soluções em TI. Formada em backend pela bootcamp da {Reprograma}. Sommelier de vinho não-oficial, filha perdida da Beyoncé e apaixonada por jogos de RPG.

15 Comentário

  1. Parabéns pelo artigo!! Precisamos de mais relatos como esse para inspirar as pessoas a não desistir de entrar na área de tecnologia.

  2. Parabéns, li cada frase com atenção e carinho. Você foi o seu próprio combustível, uma inspiração! Ansiosa para te ver conquistar espaço e ver outras mulheres, sejam elas: cis, preta, banca, trans e o que mais quiserem tendo como exemplo alguém tão determinada quando você.

  3. Parabéns Letícia !! A dificuldade só fez te fortalecer pra você seguir em frente ! Amei o seu artigo serve de exemplo pra muitos que por menos desistem ,por encontrarem dificuldade e preconceitos, mais a dificuldade e o preconceito só te impusou a seguir … Parabéns 👏👏

  4. Parabéns pelo artigo muito bom que vc possa trazer mais aprendizado como esse ! Que possamos lutar sempre ! Parabéns 👏👏👏👏👏

  5. Parabéns Letícia. Bonito e inspirador artigo.
    Esse é o pensamento de quem quer vencer. Desistir nunca foi uma opção. Siga firme em sua trajetória que as portas irão se abrir naturalmente.
    Força, foco e fé!

  6. Parabéns amiga, é emocionante e inspirador ler esse artigo, a admiração é imensa em ver a garra e força que você tem, a sua insistência nos seus sonhos. Você Mulher Preta é f*oda demais! Me empolguei rs. Você merece tudo ♥️

  7. Parabéns Letícia 👏🏻👏🏻👏🏻 Excelente relato!! Nunca desista de seus sonhos e objetivos. A luta é pesada mais a gente chega lá 👊🏻👊🏻👊🏻 Que vc continue sendo inspiração e construa um legado para toda essa nova geração que vem chegando por aí… Que se espalhe a cada dia mais Letícia guerreiras, o mundo é de vcs ♥️

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